Há uma porta na vida que
quase todo mundo vê, mas nem todos atravessam. Curiosamente, essa porta não
está trancada. Não exige senha, não cobra ingresso e nem tem um guarda
impedindo a passagem. O nome dela é medo.
O medo é um companheiro
antigo da humanidade. Ele nos protege dos perigos reais, nos faz pensar antes
de agir e evita muitas tragédias. Mas existe um momento em que ele deixa de ser
protetor e passa a ser carcereiro. É quando nos convence de que não somos
capazes, de que não vai dar certo, de que é melhor permanecer onde estamos.
Quantos sonhos ficaram
guardados em gavetas empoeiradas por causa do medo? Quantos livros não foram
escritos, quantas empresas não foram abertas, quantas declarações de amor não
foram feitas, quantas viagens não aconteceram, quantos ministérios não
floresceram porque alguém resolveu ouvir mais a voz do medo do que a voz da
esperança?
O medo é especialista em
mostrar tudo o que pode dar errado. Ele raramente fala das possibilidades, das
conquistas, dos encontros e das bênçãos que podem surgir do outro lado da
decisão.
Talvez seja por isso que
as maiores histórias de superação não começam com coragem absoluta. Elas
começam com pessoas assustadas. Gente comum. Gente que tremeu, duvidou, chorou,
mas decidiu caminhar mesmo assim. A coragem não é a ausência do medo. A coragem
é dar um passo apesar dele.
Quem olha para trás,
depois de vencer uma batalha, quase sempre percebe a mesma coisa, que o
obstáculo parecia muito maior antes da travessia. O medo ampliava as sombras.
Depois que a luz chegou, descobriu-se que o gigante não era tão invencível
quanto parecia.
E o que existe depois do
medo? Existe crescimento. Existe aprendizado. Existe maturidade. Existe a
alegria de descobrir capacidades que estavam adormecidas.
Existem amizades
inesperadas, oportunidades improváveis, portas abertas e experiências que
jamais seriam vividas por quem escolheu permanecer na segurança da margem. Existe
também a satisfação silenciosa de olhar para si mesmo e dizer: "Eu
fui."
Nem tudo dará certo, é verdade. Algumas tentativas falharão. Alguns planos precisarão ser refeitos. Algumas lágrimas serão inevitáveis. Mas até os fracassos ensinam mais do que a paralisia. Quem tenta cresce. Quem arrisca aprende. Quem avança descobre novos horizontes.
Na caminhada da fé, vemos
isso repetidamente. Deus nunca prometeu ausência de desafios, mas
frequentemente chamou homens e mulheres para saírem da zona de conforto. Abraão
deixou sua terra. Moisés enfrentou Faraó. Josué atravessou o Jordão. Pedro saiu
do barco. Nenhum deles caminhou sem medo. Caminharam apesar dele.
Talvez hoje exista algo
esperando por você do outro lado da porta. Uma oportunidade. Um sonho. Um
recomeço. Uma bênção. Talvez o medo esteja dizendo para você ficar onde está.
Mas a vida, a fé e a esperança estão sussurrando outra coisa: avance.
Porque, muitas vezes, o
melhor da vida não está antes do medo. Está logo depois dele. Então vá. Com as
pernas tremendo, se for preciso. Com dúvidas, se necessário. Com o coração
acelerado. Mas vá. Arrisque. Tente. Acredite.
Porque existem coisas tão
extraordinariamente boas reservadas para você que só poderão ser vistas quando
o medo ficar para trás. E quando isso acontecer, você descobrirá que o passo
mais importante não foi chegar ao destino.
Foi decidir atravessar a
porta.
Pr. Gilberto Silva – IPRG – Gurupi-TO
