Um atentado à memória histórica de Palmas e do Tocantins
Os vereadores de Palmas
parecem viver em outro mundo. Como se não houvesse nada de urgente a ser feito
na capital, cheia de problemas em saúde, segurança, educação e infraestrutura, resolveram
se ocupar de uma pauta tão inútil quanto ofensiva. Mudar o nome da Avenida
Teotônio Segurado para Avenida José Wilson Siqueira Campos.
É preciso dizer. Nada
contra o ex-governador, que já está eternizado como “criador do Tocantins”. Sua
marca está em palácios, monumentos, escolas, avenidas, cidades e até no próprio
hino do Estado. O reconhecimento a Siqueira Campos já extrapolou os limites da
justa homenagem. O que está em questão não é ele, mas a violência contra a
memória de Teotônio Segurado, pioneiro que também contribuiu decisivamente para
a separação nortista e para a identidade histórica do Tocantins.
O absurdo é ainda maior
porque o próprio Siqueira Campos, em vida, recusou essa honraria, reconhecendo
a importância de Teotônio Segurado. Mas os nobres edis, em sua política
rasteira e movida a conveniências, preferiram atropelar a história e matar a
memória de um dos grandes nomes do nosso passado.
Qual o próximo passo?
Mudar o nome do Rio Tocantins para Rio Siqueira Campos? Rebatizar Palmas como
Cidade Siqueira Campos? Criar o “Estado do Siqueirão”? O sarcasmo é triste, mas
necessário. Estamos diante de uma Câmara que brinca com símbolos e identidades,
como se fossem peças descartáveis. Talvez seja porque a maioria sequer conhece
a história do Tocantins e nem saiba que foi Teotônio Segurado.
E não se trata apenas de
simbologia. Quem vai arcar com os custos e as dores da renomeação em uma
avenida que corta a cidade inteira? Quem paga a conta das mudanças em
correspondências, registros, endereços comerciais e residenciais? O povo, é
claro.
Enquanto isso, os
vereadores se afastam cada vez mais da população, legislam como uma casta
iluminada, ignoram o clamor das ruas e se ocupam de bajulação política em vez
de debater os reais problemas da capital.
Se o prefeito Eduardo
Siqueira Campos tiver hombridade e responsabilidade com a cidade, acima do laço
de sangue, vetará essa lei absurda. Palmas precisa de gestão, de trabalho sério
e de respeito à sua memória. Não de vaidades políticas e homenagens
desnecessárias.
Chega de palhaçada. Chega
de cretinice. O povo merece respeito.
Gilberto Silva –
Professor Aposentado da Unirg, jornalista, escritor e teólogo
