Tia Celina, a Mulher do chamado, a guerreira de fé

 


Tia Celina, a Mulher do chamado, a guerreira de fé

Aos 91 anos, quando muitos já se recolheram à sombra da história, ela ainda brilha com a luz da obediência. Tia Celina não é apenas um nome entre outros da família, é uma chama que não se apagou. Uma dessas mulheres raras que vive não por si, mas por um propósito maior.

Há 23 anos, quando já se poderia esperar dela o sossego da aposentadoria e o desfrute do descanso merecido, ela tomou uma decisão que contrariava o senso comum. Deixou Gurupi, no Tocantins, o seu conforto, os laços, os planos de viver à beira-mar. E foi. Simplesmente foi. Para Indiara, interior de Goiás. Não para desfrutar, mas para plantar. Não coqueiros ou flores tropicais, mas uma igreja. Mais uma igreja. Mais um altar no meio do cerrado.

Tia Celina, como todos a chamam, não obedece ao tempo cronológico. Ela ouve outro tipo de relógio. O da eternidade. Quando Deus a chamou, ela não apenas escutou. Ela atendeu. Com quase 70 anos, ela respondeu como quem tem 20: “Eis-me aqui.”

Seu ministério rompeu barreiras. Numa época em que o púlpito era, para muitos, lugar apenas de vozes masculinas, ela se ergueu como a primeira mulher a conduzir uma igreja, quebrando paradigmas com ternura e convicção. Não buscou títulos, mas serviço. Não desejou reconhecimento, mas frutificação. Com coragem, mansidão e autoridade espiritual, abriu caminho para outras mulheres também se levantarem. E tudo isso sem apagar a lembrança do seu precioso trabalho na 1ª Igreja Presbiteriana de Gurupi, onde deixou marcas profundas de fé, ensino e amor.

E como se tudo isso não bastasse, por 24 anos foi diretora do Colégio Presbiteriano de Gurupi. Não apenas liderou com competência administrativa, mas com firmeza pedagógica, com zelo pela formação moral e espiritual de gerações inteiras. Formou não só alunos, mas caráter. Moldou não apenas mentes, mas corações.

Hoje, aos 91, engana-se quem imagina uma senhora limitada pela idade. O que se vê é uma mulher em pleno vigor físico, mental e espiritual. Viaja sozinha para outras cidades, revê parentes, visita irmãos em Cristo e, claro, leva consigo a Palavra. E não para por aí. Todos os dias, sem falhar, acorda às 4h30 da madrugada para orar, meditar nas Escrituras e discipular. É nesse altar secreto que ela abastece a força que a move.

Além disso, continua reunindo-se diariamente com um pequeno grupo de irmãs de Gurupi. Juntas, oram, discipulam, louvam, glorificam ao Senhor e compartilham experiências de fé. É como se aquele pequeno grupo fosse uma extensão do cenáculo, onde a presença do Espírito se faz viva e constante.

Nunca se casou, é verdade. Mas engana-se quem pensa que ela não foi mãe. Ela foi, e é, mãe de muitos. Filhos de fé, de esperança, de transformação. Educadora por vocação e por convicção, semeou conhecimento nas salas de aula e salvação nos corações. Sua descendência espiritual é incontável. Por onde passa, ainda hoje, deixa rastros de firmeza, doçura e graça.

Tia Celina é dessas raras mulheres que vivem como se cada dia fosse missão. Que acordam com propósito, oram com intenção, caminham com direção. Aos 91 anos, ela ainda inspira como quem acabou de começar. E sua história nos ensina que o verdadeiro vigor não vem da juventude do corpo, mas da disposição da alma diante do chamado de Deus.

Que mulher é essa?

É a guerreira de Fé.

É uma serva. É uma enviada. É uma referência. É um exemplo.

É Tia Celina. Um capítulo vivo da fidelidade de Deus. Uma biografia que está sendo escrita não apenas em páginas, mas em vidas.

E nós, que temos o privilégio de conhecê-la, só podemos dizer: Obrigado, Senhor, por essa vida que nos desafia, nos ensina e nos conduz mais perto de Ti.

Pr. Gilberto Silva – Gurupi-TO