Buscando a sabedoria como um tesouro

 


Buscando a sabedoria como um tesouro

“se buscares a sabedoria como a prata e como a tesouros escondidos a procurares,” – Provérbios 2:4 - ARA

Aqui o texto sobe o nível da busca. Não é procurar de qualquer jeito. É buscar como quem procura prata, como quem sai atrás de um tesouro escondido. Quem procura um tesouro não desiste fácil. Investe tempo, esforço, energia. Assim deve ser nossa busca pela sabedoria de Deus.

Clamar por sabedoria é reconhecer que precisa

 


Clamar por sabedoria é reconhecer que precisa

“sim, se clamares por inteligência e por entendimento alçares a voz,” – Provérbios 2:3 - ARA

Este versículo dá mais um passo na caminhada da sabedoria: clamar. Aqui não se trata mais apenas de ouvir ou inclinar o coração, mas de reconhecer a própria limitação e levantar a voz diante de Deus. Quem clama admite que não sabe tudo e que precisa de direção do alto.

Ouvidos atentos e coração inclinado

 


Ouvidos atentos e coração inclinado

 

Para fazeres atento à sabedoria o teu ouvido e para inclinares o coração ao entendimento;” – Provérbios 2:2 - ARA

Este versículo mostra que a sabedoria exige mais do que presença física ou escuta superficial. Deus fala de ouvido atento e coração inclinado. Ou seja, não basta ouvir. É preciso querer entender e decidir obedecer. A sabedoria começa quando paramos de ouvir com pressa e passamos a ouvir com intenção.

Guardar a palavra é começar a andar com sabedoria

 


Guardar a palavra é começar a andar com sabedoria

Filho meu, se aceitares as minhas palavras e esconderes contigo os meus mandamentos,” – Provérbios 2:1 - ARA

Deus inicia este capítulo falando como um Pai próximo e cuidadoso: “Filho meu…”. A sabedoria nasce desse relacionamento. Ela não é imposta, é aceita. O próprio Deus nos chama a abrir espaço no coração para Sua Palavra. Isso confirma o que Moisés ensinou ao povo: “Estas palavras que hoje te ordeno estarão no teu coração” (Deuteronômio 6:6 -).

O cristão e o meio ambiente

 

 


O cristão e o meio ambiente

Uma reflexão teológica, humana e social diante da crise ambiental

A crise ambiental contemporânea é um dos maiores desafios do nosso tempo. Ela se manifesta em níveis locais, regionais, nacionais e globais, revelando-se por meio da degradação dos ecossistemas, das mudanças climáticas, da escassez de recursos naturais e do agravamento das desigualdades sociais. Diante desse cenário, surge uma pergunta inevitável. Qual é a responsabilidade do cristão em meio à crise ambiental?

Introdução ao Capítulo 2 de Provérbios

 


Introdução ao Capítulo 2 de Provérbios

Após encerrar o capítulo 1 mostrando os caminhos e as consequências das escolhas humanas, o livro de Provérbios inicia o capítulo 2 com um tom mais pessoal e pastoral. Aqui, a sabedoria não aparece apenas como um alerta público, mas como um tesouro a ser buscado com dedicação. É um chamado íntimo, quase como um pai conversando com o filho, ensinando-lhe o valor de ouvir, guardar e praticar a Palavra.

A segurança de quem ouve a sabedoria

 


A segurança de quem ouve a sabedoria

Mas o que me der ouvidos habitará seguro, tranquilo e sem medo do mal.” – Provérbios 1:33 – ARA

Depois de tantos alertas, este versículo encerra o capítulo com uma promessa maravilhosa. Deus mostra que ouvir a sabedoria não gera peso, mas segurança, tranquilidade e paz. O contraste é claro. Enquanto a insensatez leva ao medo, a obediência conduz ao descanso do coração.

O perigo da autossuficiência espiritual

 


O perigo da autossuficiência espiritual

“Porque o desvio dos simples os matará, e a prosperidade dos insensatos os destruirá.” – Provérbios 1:32 - ARA

Este versículo revela um perigo silencioso. Não é só o erro que destrói, mas a falsa sensação de segurança. Os “simples” se perdem porque desviam do caminho, e os “insensatos” se destroem justamente quando acham que está tudo bem. A prosperidade aqui não é bênção; é armadilha. É quando a vida parece funcionar, mas o coração está longe da sabedoria.

Colhendo o fruto das próprias escolhas


Colhendo o fruto das próprias escolhas

“Portanto, comerão do fruto do seu procedimento e dos seus próprios conselhos se fartarão.” – Provérbios 1:31 - ARA

Este versículo apresenta uma lei espiritual que ninguém consegue evitar. Toda escolha gera colheita. Deus não está sendo duro. Ele está sendo justo. Quem rejeita a sabedoria e insiste em seguir o próprio caminho acaba experimentando o resultado das decisões que tomou. Não é castigo imposto do céu, é consequência do caminho escolhido.

A intolerância crescente contra a educação e os educadores

 


A intolerância crescente contra a educação e os educadores

Educar agora virou ameaça?

Por muito tempo, a educação foi reconhecida como um dos pilares fundamentais da vida em sociedade. Mesmo em contextos de divergência política, religiosa ou cultural, havia um consenso mínimo de que sem escola e sem educadores não há futuro possível. Hoje, esse consenso está seriamente abalado. O que antes era espaço de construção do conhecimento transformou-se, para alguns, em alvo de suspeita, hostilidade e ataques sistemáticos.

A intolerância contra a educação e contra os educadores não nasce do acaso. Ela é fruto de um ambiente marcado pelo medo das mudanças sociais, pela polarização extrema e pela tentativa de reduzir a complexidade do mundo a explicações simplistas e rótulos ideológicos. Nesse cenário, o professor passa a ser retratado não como mediador do saber, mas como inimigo a ser combatido.

Expressões como “doutrinação”, “ideologia” ou “marxismo cultural” deixaram de ser conceitos debatidos academicamente e passaram a operar como instrumentos retóricos de deslegitimação. Não explicam a realidade. Simplesmente produzem medo. Funcionam como atalhos emocionais para desacreditar a escola, atacar o educador e enfraquecer a confiança social na educação pública e privada.

Dizer que professores mentem, enganam ou manipulam alunos não é apenas uma crítica pedagógica, é uma forma de violência simbólica. Ao lançar suspeita generalizada sobre quem ensina, mina-se a autoridade intelectual do educador e se instala uma lógica perigosa, de que o conhecimento deve ser controlado, vigiado e censurado. Trata-se de um movimento que não fortalece famílias nem estudantes, muito mais que isso, enfraquece a democracia.

Na escola real, distante das caricaturas produzidas em discursos inflamados, o que existe é diálogo, conflito de ideias e aprendizagem coletiva. Discordar faz parte do processo educativo. Questionar, argumentar e mudar de opinião são sinais de formação crítica, não de ameaça moral. O que a escola não pode e não deve tolerar é discriminação, violência ou exclusão. Ainda assim, paradoxalmente, muitos ataques à educação se apoiam justamente em discursos que justificam a exclusão, inclusive quando travestidos de defesa moral ou religiosa.

É preciso dizer com clareza. Quando a religiosidade ou valores pessoais são usados para atacar minorias, negar direitos ou silenciar debates, o problema não está na escola, mas na instrumentalização da fé como arma política. A educação, ao contrário, busca ensinar a convivência plural, o respeito às diferenças e a dignidade humana, e são esses princípios que deveriam unir, não dividir.

Vivemos também uma crise de confiança no conhecimento. A desvalorização da ciência, o desprezo por evidências e a multiplicação de “verdades alternativas” criaram um terreno fértil para ataques às instituições educativas. Nesse contexto, o professor incomoda porque convida a pensar, a verificar fontes, a comparar argumentos. Em tempos de certezas fáceis, pensar virou ato subversivo.

Atacar educadores é atacar a possibilidade de uma sociedade crítica e madura. É escolher o medo em vez do diálogo, o controle em vez do pensamento, o rótulo em vez do argumento. Defender a educação não é defender uma ideologia, mas o direito de aprender, discordar e conviver em uma sociedade plural.

Se queremos um futuro menos violento, menos intolerante e mais humano, precisamos reafirmar algo simples e essencial, que os educadores não são inimigos. Educadores são construtores de pontes em um tempo que insiste em erguer muros. E nenhuma sociedade que despreza seus professores consegue, de fato, educar-se para o amanhã.

Pr. Gilberto Silva – professor universitário aposentado, jornalista, poeta e escritor e teólogo. Atual presidente da Associação dos Professores Universitários de Gurupi.