Um
chamado ao retorno do verdadeiro Evangelho
A Igreja de Jesus Cristo nunca foi chamada para ser um curral de consciências controladas, mas um corpo vivo, consciente e maduro. O problema não está na liderança, pois ela é bíblica e necessária, mas no modelo de liderança que substitui o pastoreio pelo domínio.
O próprio Senhor declarou em Evangelho de João 8:32: “Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” A verdade liberta, não aprisiona. Liberta da ignorância, do medo, da manipulação e da opressão espiritual. Quando questionar se torna sinônimo de rebeldia, algo está errado no ambiente eclesiástico.
Liderança não é domínio
Jesus foi claro ao ensinar seus discípulos que o modelo do Reino é diferente dos sistemas de poder humano. Em Evangelho de Mateus 20:25-28, Ele confronta a lógica do autoritarismo. Os governantes dominam, mas no Reino não é assim. Quem quiser ser o maior, seja servo. O verdadeiro pastor conduz com cajado e vara que protegem, não com ferro que oprime.
Quando líderes centralizam tudo, controlam decisões pessoais dos membros, evitam transparência administrativa e tratam questionamentos como ameaça, deixam de refletir o Cristo servo e passam a reproduzir modelos imperiais. A história da humanidade está cheia de exemplos de impérios que ruíram por causa da arrogância e da ausência de prestação de contas.
Questionar não é rebeldia
A maturidade cristã pressupõe discernimento. O apóstolo Paulo elogiou os bereanos em Atos 17:11 porque examinavam as Escrituras para conferir o que lhes era ensinado. Uma igreja que pensa é uma igreja saudável. Uma igreja que fiscaliza é uma igreja responsável.
Líderes que não formam novas lideranças, que não delegam, que não permitem crescimento intelectual e espiritual dos membros, revelam insegurança, e não autoridade espiritual. Pensar no próprio “reino” é esquecer o Reino de Deus.
Jesus chamou homens simples, falhos, despreparados, e os transformou em missionários, discípulos e líderes que mudaram a história. Ele não domesticou seguidores. Ele formou discípulos.
Transparência é proteção
A falta de transparência administrativa, financeira e ministerial não protege a igreja, ao contrário, expõe a igreja. Escândalos que diariamente são divulgados na mídia brasileira revelam uma triste realidade. Quando fatos são escondidos, números não são apresentados e decisões são tomadas em círculos fechados, o risco de queda se multiplica.
O problema não é ser líder. O problema é esquecer que liderança cristã é serviço, prestação de contas e temor a Deus.
O perigo do ouro
Há líderes mais preocupados com os anéis do que com os dedos. Mais atentos aos recursos financeiros do que às lágrimas silenciosas das ovelhas feridas. No entanto, a Bíblia descreve que as ruas do céu são de ouro. Aquilo que aqui é objeto de disputa, lá é apenas chão.
Quando interesses econômicos passam a influenciar tratamento privilegiado dentro da comunidade, a essência do Evangelho já foi comprometida.
O verdadeiro chamado pastoral é cuidar de gente. Ouvir sem julgar. Corrigir sem humilhar. Administrar com transparência. Servir sem vaidade. Ainda há tempo
A mensagem não é de condenação, mas de arrependimento. Todo líder pode retornar ao primeiro amor. Todo ministério pode se alinhar novamente ao coração de Cristo.
O Reino de Deus não é sustentado por estruturas imponentes, mas por corações rendidos. Não é fortalecido por controle, mas por comunhão. Não cresce pela manipulação, mas pelo discipulado verdadeiro.
Jesus cobrará, não pelo tamanho dos templos, mas pelo cuidado com as pessoas. Não pelos números apresentados, mas pelas vidas transformadas.
Ainda há tempo de tirar os olhos do ouro da terra e colocá-los nos irmãos que precisam de abraço, de escuta ativa e de cuidado genuíno.
Que a Igreja volte a ser casa de liberdade, maturidade e verdade. Que os líderes sejam servos. E que o Evangelho volte a ser simples, puro e centrado em Cristo.
Pr.Gilberto Silva - Gurupi-TO
