A marcha é para quem?

 


                      A marcha é para quem?

A marcha segue como um cortejo triunfante. Ruas lotadas, som ensurdecedor, luzes que piscam, bandeiras que tremulam. O nome seduz. Marcha para Jesus. Mas a pergunta ecoa: a marcha é para quem?

Se for para Jesus, onde está o silêncio reverente? Onde estão as lágrimas de arrependimento, os clamores intercessores, as mãos estendidas para os que sofrem ao redor? Em vez disso, vemos palcos iluminados, verbas públicas justificadas, políticos que aproveitam a ocasião para se mostrarem piedosos diante das câmeras.

E se não houvesse show? Quantos marchariam apenas para orar? Quantos suportariam caminhar apenas pela fé, sem holofotes, sem selfies, sem likes? A resposta assusta. Poucos. Porque o espetáculo atrai, mas a oração exige entrega.

Nas calçadas, deitados sobre papelões, estão aqueles que a marcha esquece. Moradores de rua, famintos, invisíveis. Eles olham de fora e se perguntam o que aquilo tem a ver com o Cristo que lavou pés, que tocou feridos, que se compadeceu das multidões.

Marcha-se, mas não para Jesus. Marcha-se para a catarse coletiva, para a visibilidade, para o espetáculo que conforta egos. E o Cristo, que não precisa de palcos nem de verbas, continua à margem, esperando ser encontrado entre os pequenos, os quebrantados e os esquecidos.

Assim caminha a humanidade. Celebrando o espetáculo, mas esquecendo a essência. A marcha é para quem? Eis a pergunta que não pode calar.

 Pr. Gilberto Silva – Gurupi-TO