O
jardim do saber
Há um provérbio africano
que me visita sempre que o comodismo tenta ocupar terreno em minha mente. “O
conhecimento é como um jardim. Se não for cultivado, não pode ser colhido.”
Simples, mas profundo. E, como toda sabedoria popular, ele fala ao coração de quem
observa a vida com olhos atentos.
Imagine um jardim. Um
pedaço de terra entregue à natureza sem nenhuma intervenção humana. A
princípio, pode até parecer promissor, mas basta o tempo avançar para que o
mato tome conta, as pragas se alastrem e o solo endureça. O que poderia
florescer vira terreno esquecido, cheio de promessas não cumpridas. Assim
também é o nosso conhecimento. Se não cuidamos, ele se perde em meio ao
esquecimento, à desordem mental, à falta de aplicação.
Cultivar o conhecimento é
um ato diário. Exige ferramentas, como livros, experiências, conversas,
observação do mundo. E exige tempo, aquele recurso escasso que tantos preferem
gastar em distrações, deixando a terra fértil do cérebro à mercê do acaso. Quem
lê uma página hoje, questiona uma ideia amanhã, planta uma dúvida acolá e corre
atrás da resposta, está regando o próprio jardim interior.
Mas não basta cultivar
por cultivar. Quem já lidou com um jardim sabe que cada planta exige um tipo de
cuidado, cada semente tem seu tempo de germinação. Com o conhecimento é igual. É
preciso paciência, discernimento e curiosidade constante para entender que
alguns saberes florescem rápido, outros demandam estações inteiras para mostrar
seu valor.
E o que dizer da
colheita? Esse é o momento em que o esforço se revela. Quando menos se espera,
o jardim do conhecimento oferece sombra, frutos e flores. A sombra do
entendimento, os frutos das boas escolhas e as flores da sabedoria
compartilhada. Quem cultiva o saber não apenas colhe para si, mas passa a
distribuir sementes por onde caminha.
Por isso, diante desse
provérbio africano, sou lembrado de que não há idade para começar a plantar.
Nem limite para o que se pode colher. O saber não aceita ociosidade. E a mente,
como o jardim, agradece cada vez que uma nova semente de curiosidade é lançada
à terra do pensamento.
Pr. Gilberto Silva – Gurupi-TO
